Focus: mercado mantém Selic de 13,25% no fim de 2026 e reduz inflação

    No Boletim Focus de 26 de outubro, a projeção do IPCA de 2026 caiu para 5,19% e a Selic esperada para o fim de 2027 recuou para 11,75%.

    Por Redação JurosFácil| · Atualizado em 31/10/2026 às 22:14

    Focus: mercado mantém Selic de 13,25% no fim de 2026 e reduz inflação
    Imagem: Unsplash

    O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com cerca de cem instituições financeiras, trouxe em 26 de outubro de 2026 uma leve melhora nas expectativas de inflação. A mediana para a Selic no fim de 2026 ficou estável em 13,25%, enquanto a projeção para o fim de 2027 caiu de 12% para 11,75%.

    Principais números

    Indicador202620272028
    IPCA5,22% → 5,19%4,32% → 4,34%3,75% (estável)
    PIB1,83% → 1,80%1,32% → 1,31%1,81% (estável)
    Selic (fim do ano)13,25% (estável)12,00% → 11,75%10,50% → 10,00%
    Dólar (fim do ano)R$ 5,13 → R$ 5,05R$ 5,22 → R$ 5,15R$ 5,29 → R$ 5,20

    A pesquisa foi fechada na sexta-feira anterior à divulgação, por isso ainda não reflete a reação dos mercados ao resultado do segundo turno das eleições, em 25 de outubro. Esse efeito deve aparecer nos próximos boletins.

    O que esses números indicam

    Com a Selic atual em 13,75%, uma projeção de 13,25% para dezembro significa que o mercado espera mais dois cortes de 0,25 ponto neste ano, nas reuniões de novembro e dezembro. Para 2027, a expectativa é de que o ciclo de queda continue, levando os juros para perto de 11,75%, e para 10% em 2028.

    A inflação de 2026, porém, segue projetada acima do teto da meta (4,5%). Isso explica por que o Banco Central tem cortado os juros em passos pequenos. A projeção de 2027, de 4,34%, já fica abaixo do teto, mas ainda longe do centro de 3%.

    O que é o Focus e como ler

    O Focus é publicado toda segunda-feira, com as respostas coletadas até a sexta anterior. Economistas de bancos, gestoras e consultorias informam suas projeções para inflação, PIB, câmbio, Selic e outras variáveis, e o Banco Central divulga a mediana, o valor do meio, que é menos sensível a previsões extremas.

    Três cuidados ao ler o boletim:

    1. Não é previsão do Banco Central. É a expectativa do mercado. O Copom usa o Focus como insumo, mas tem projeções próprias.
    2. Olhe a tendência, não só o número. Quatro ou cinco semanas seguidas de queda na projeção de inflação dizem mais que uma variação isolada de 0,03 ponto.
    3. Compare com as projeções do Copom. Em setembro, o comitê projetou IPCA de 5,2% para 2026, muito perto dos 5,19% do mercado. Quando as duas visões se aproximam, a política de juros fica mais previsível.

    Juro real: por que os números importam para você

    O juro real é o rendimento acima da inflação. Com a Selic projetada em 11,75% no fim de 2027 e inflação de 4,34% para o mesmo ano, o juro real esperado fica perto de 7,1% ao ano: (1,1175 ÷ 1,0434) − 1. Ainda é alto para padrões internacionais, o que mantém a renda fixa brasileira atraente.

    Para comparar, hoje, com a Selic em 13,75% e o IPCA de 4,58% em 12 meses até setembro (dado do IBGE via Banco Central), o juro real está perto de 8,8% ao ano.

    Como usar o Focus nas suas decisões

    O Focus não diz o que vai acontecer, mas ajuda a pensar na estratégia:

    • Juros em queda costumam favorecer quem trava taxas hoje, em títulos prefixados ou atrelados à inflação, desde que leve o título até o vencimento. Se vender antes, o preço pode variar para cima ou para baixo.
    • Pós-fixados (Tesouro Selic e CDBs atrelados ao CDI) continuam bons para a reserva de emergência, mas o rendimento acompanha a queda da Selic.
    • Dívidas: juros básicos menores abrem espaço para portabilidade de empréstimos e financiamentos ou renegociação com taxas mais baixas.
    • Planejamento: ao simular um investimento de longo prazo, use uma taxa média menor que a atual. Se o mercado espera Selic de 10% em 2028, projetar 13,75% por dez anos superestima o resultado.

    Quer simular quanto um investimento rende com diferentes taxas? Use a calculadora de juros compostos com a opção "% do CDI" e altere o CDI de referência. O próximo passo dos juros será decidido na reunião de novembro; veja o que esperar do Copom.

    Fontes

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