Copom de novembro: o que esperar da reunião de 3 e 4 de novembro

    O mercado espera novo corte de 0,25 ponto na Selic, para 13,50%. Veja o calendário, os fatores em jogo e o que acompanhar no comunicado.

    Por Redação JurosFácil| · Atualizado em 31/10/2026 às 22:14

    Copom de novembro: o que esperar da reunião de 3 e 4 de novembro
    Imagem: Unsplash

    O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central volta a se reunir nos dias 3 e 4 de novembro de 2026. A decisão sobre a Selic, hoje em 13,75% ao ano, será anunciada na quarta-feira (4), depois do fechamento do mercado. É a penúltima reunião do ano; a última está marcada para 8 e 9 de dezembro.

    Como chegamos até aqui

    A Selic começou 2026 em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. Desde março, o Copom fez cinco cortes seguidos de 0,25 ponto, segundo a série histórica do Banco Central:

    Data de vigênciaSelic
    1º de janeiro15,00%
    19 de março14,75%
    30 de abril14,50%
    18 de junho14,25%
    6 de agosto14,00%
    17 de setembro13,75%

    O ritmo de 0,25 ponto por reunião mostra um Banco Central que quer aliviar os juros sem perder o controle da inflação, que segue acima da meta.

    O que o mercado espera

    A mediana do Boletim Focus de 26 de outubro aponta Selic de 13,25% no fim de 2026. Como restam duas reuniões, a leitura mais comum é de um corte de 0,25 ponto em novembro, levando a taxa a 13,50%, e outro em dezembro. Seria o sexto corte consecutivo do ciclo.

    A pesquisa foi fechada antes da reação dos mercados ao segundo turno das eleições, em 25 de outubro. Movimentos fortes no câmbio depois do resultado podem pesar na decisão e, principalmente, no tom do comunicado.

    O que pesa a favor de um novo corte

    • Inflação de curto prazo mais fraca: o IPCA-15 de outubro subiu 0,32%, abaixo dos 0,43% esperados, com queda na energia elétrica e nas passagens aéreas.
    • Atividade mais moderada: o próprio Copom citou, em setembro, uma desaceleração gradual da economia.
    • Expectativas em leve queda: o Focus reduziu a projeção do IPCA de 2026 para 5,19%.
    • Juros reais altos: com a Selic a 13,75% e a inflação em 12 meses perto de 4,6%, o juro real passa de 8% ao ano, muito acima do nível considerado neutro para a economia.

    O que pede cautela

    • Inflação acima da meta: o IPCA acumulado em 12 meses e as projeções para 2026 seguem acima do teto de 4,5%.
    • Mercado de trabalho aquecido, que mantém pressão sobre os preços de serviços.
    • Cenário externo incerto e a volatilidade do câmbio depois das eleições. Um dólar mais caro encarece importados e combustíveis.
    • Alimentos: tomate, cebola e batata pressionaram a prévia de outubro.

    Os três cenários e o efeito no seu bolso

    Para quem tem dinheiro num CDB de 100% do CDI, veja quanto R$ 10 mil renderiam em 12 meses em cada patamar de Selic, considerando o CDI 0,10 ponto abaixo da Selic e IR de 20% (prazo de até um ano):

    SelicRendimento bruto em 12 mesesRendimento líquido
    13,75% (manutenção)R$ 1.365R$ 1.092
    13,50% (corte de 0,25)R$ 1.340R$ 1.072
    13,25% (corte de 0,50)R$ 1.315R$ 1.052

    A diferença entre os cenários é de cerca de R$ 20 por ano a cada R$ 10 mil, por corte. Para a reserva de emergência, nada muda na estratégia: pós-fixados com liquidez diária seguem sendo a escolha certa.

    Quem pensa em travar taxas em prefixados ou títulos atrelados à inflação deve olhar mais para o comunicado do que para o corte em si, porque é o tom do texto que move as taxas desses papéis.

    O que observar no comunicado

    1. O tamanho do corte, ou se haverá pausa.
    2. A frase sobre os riscos: se o Copom repete que os riscos para a inflação são "mais elevados que o usual" ou suaviza a avaliação.
    3. Pistas sobre dezembro: o comitê costuma evitar compromissos, mas pequenas mudanças de redação indicam o próximo passo.
    4. As projeções de inflação, principalmente para o horizonte relevante, o início de 2028.
    5. Votos divergentes: uma decisão não unânime sinaliza debate interno sobre o ritmo.

    A ata da reunião sai na terça-feira seguinte, 10 de novembro, e costuma detalhar o raciocínio do comitê.

    Como isso afeta você

    • Investimentos: um corte reduz um pouco o rendimento do Tesouro Selic e dos CDBs atrelados ao CDI, mas a renda fixa segue bem remunerada.
    • Poupança: não muda. Continua em 0,5% ao mês mais TR enquanto a Selic estiver acima de 8,5%.
    • Crédito: cortes graduais demoram meses para chegar às taxas de empréstimos e financiamentos. Linhas como o rotativo do cartão quase não reagem à Selic.

    Vamos atualizar o blog assim que a decisão sair. Enquanto isso, veja o que mudou no último corte em Copom corta a Selic para 13,75% e simule seus investimentos na calculadora do JurosFácil, com a opção "% do CDI".

    Fontes

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