Copom corta a Selic para 13,75% ao ano: o que muda no seu bolso

    O Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto, para 13,75% ao ano, no quinto corte seguido. Veja o efeito na renda fixa, na poupança e no crédito.

    Por Redação JurosFácil| · Atualizado em 31/10/2026 às 22:14

    Copom corta a Selic para 13,75% ao ano: o que muda no seu bolso
    Imagem: Unsplash

    O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros, a Selic, de 14% para 13,75% ao ano na reunião encerrada em 16 de setembro de 2026. A decisão foi unânime e já era esperada pelo mercado. Foi o quinto corte consecutivo do ciclo de afrouxamento que começou em março, quando a Selic estava em 15%.

    O corte de 0,25 ponto foi do mesmo tamanho dos anteriores, num ritmo que o próprio Banco Central chama de "calibração": reduzir os juros devagar, sem abrir mão de manter a economia sob aperto enquanto a inflação segue acima da meta.

    O que o Banco Central disse

    No comunicado, o Copom manteve um tom cauteloso. O comitê avaliou que o cenário externo segue incerto, com conflitos no Oriente Médio e dúvidas sobre a política monetária de economias avançadas. No Brasil, a atividade mostra moderação gradual, mas o mercado de trabalho continua aquecido.

    O texto repetiu que a magnitude total do ciclo será definida à luz de novas informações e que os riscos para a inflação seguem mais elevados que o usual, com assimetria para cima. Na prática, o BC não se comprometeu com os próximos passos e deixou claro que as decisões dependem dos dados.

    As projeções do Copom

    PeríodoProjeção de IPCA do Copom
    20265,2% (antes, 5,1%)
    20273,9%
    1º trimestre de 2028 (horizonte relevante)3,2%

    A meta de inflação é de 3%, com tolerância até 4,5%. A projeção para 2026 está acima do teto, mas o Banco Central mira o horizonte de cerca de 18 meses à frente, hoje o início de 2028, onde a inflação esperada já se aproxima do centro da meta. É esse descompasso que permite cortar os juros mesmo com a inflação atual alta.

    Como fica a renda fixa

    A Selic é a referência para o CDI e para boa parte dos investimentos conservadores. Com o corte, os rendimentos pós-fixados ficam um pouco menores, mas continuam altos para os padrões históricos:

    InvestimentoRentabilidade aproximada ao ano (bruta)
    Tesouro Seliccerca de 13,75%
    CDB 100% do CDIcerca de 13,65%
    Poupançacerca de 8% (0,5% ao mês + TR)

    Quanto o corte de 0,25 ponto custa no seu rendimento

    Para um CDB de 100% do CDI, num prazo de um ano, a diferença de 0,25 ponto representa:

    Valor aplicadoRendimento bruto a menosLíquido a menos (IR de 20%)
    R$ 10 milR$ 25R$ 20
    R$ 50 milR$ 125R$ 100
    R$ 100 milR$ 250R$ 200

    O efeito é pequeno para quem tem a reserva em pós-fixados. O que pesa mais é a soma dos cortes: desde março, a Selic caiu 1,25 ponto, o que significa R$ 125 a menos por ano para cada R$ 10 mil aplicados no CDI.

    Pós-fixado, prefixado ou IPCA+?

    Quando os juros estão em queda, a escolha do tipo de título faz diferença:

    • Pós-fixados (Tesouro Selic, CDBs atrelados ao CDI): acompanham cada corte. Continuam os melhores para a reserva de emergência, pela liquidez diária e pela baixa oscilação.
    • Prefixados: travam a taxa no momento da compra. Se os juros caírem como o mercado espera, quem comprou antes ganha. O risco é precisar vender antes do vencimento num momento ruim.
    • Atrelados à inflação (IPCA+): garantem um ganho acima da inflação por todo o prazo. São usados para objetivos longos, como aposentadoria.

    Não existe escolha certa para todo mundo. Prazo do objetivo e necessidade de liquidez decidem mais que a expectativa para a Selic.

    E a poupança?

    Enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, a poupança continua pagando 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR). O corte não muda a regra da caderneta, que segue rendendo menos que o Tesouro Selic e que um CDB de 100% do CDI, mesmo depois do Imposto de Renda. Veja os números em quanto rende a poupança.

    E o crédito?

    Juros básicos menores tendem a baratear financiamentos, empréstimos e o crédito para empresas, mas o efeito é lento e parcial. Bancos levam meses para repassar os cortes, e o repasse depende também da inadimplência e da concorrência. Linhas como o rotativo do cartão e o cheque especial dependem muito mais do risco do cliente do que da Selic e continuam entre as mais caras do país.

    Para quem tem dívidas, o melhor uso do ciclo de queda é pesquisar portabilidade: levar o contrato para outro banco que ofereça taxa menor, sem custo para o cliente.

    Próximos passos

    A próxima reunião do Copom está marcada para 3 e 4 de novembro, e a última do ano para 8 e 9 de dezembro. O que está em jogo na próxima decisão está em Copom de novembro: o que esperar.

    Quer ver quanto o seu dinheiro rende com a Selic atual? Na calculadora do JurosFácil, marque a opção "Usar taxa Selic atual" ou escolha "% do CDI" para simular CDBs.

    Fontes

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