Prévia da inflação desacelera para 0,32% em outubro, aponta IBGE
O IPCA-15 de outubro subiu 0,32%, abaixo do esperado, com queda na conta de luz e nas passagens aéreas. Em 12 meses, a inflação acumulada é de 4,62%.
Por Redação JurosFácil| · Atualizado em 31/10/2026 às 22:14
A prévia da inflação oficial desacelerou em outubro. O IPCA-15 subiu 0,32%, depois de 0,70% em setembro, segundo o IBGE, que divulgou o dado em 23 de outubro de 2026. O resultado ficou abaixo da expectativa do mercado: a pesquisa da Reuters projetava 0,43%.
Com isso, o índice acumula 4,15% no ano e 4,62% em 12 meses, acima dos 4,47% registrados nos 12 meses anteriores. Em outubro de 2025, o IPCA-15 havia sido de 0,18%.
O que ficou mais caro
Oito dos nove grupos pesquisados subiram. O destaque foi Alimentação e bebidas, com alta de 0,88% e o maior impacto no índice (0,19 ponto percentual). A alimentação no domicílio subiu 1,01%, puxada por:
| Produto | Variação em outubro |
|---|---|
| Tomate | +24,54% |
| Cebola | +13,63% |
| Batata | +10,96% |
| Arroz | +5,80% |
Na direção contrária, ficaram mais baratos a cenoura (-10,67%), as frutas (-1,37%) e o café moído (-1,16%). A alimentação fora de casa subiu 0,56%.
Os combustíveis também pressionaram: alta de 1,20%, com destaque para o óleo diesel (+3,70%). O diesel tem efeito indireto importante, porque encarece o frete e chega aos preços de quase tudo que é transportado por caminhão.
O que ficou mais barato
O grupo Habitação caiu 0,10%, depois de subir 2,07% em setembro. A principal razão foi a energia elétrica residencial, que recuou 0,89% com a troca da bandeira tarifária de amarela para verde. A tarifa de água e esgoto também caiu 0,89%.
Nos transportes, as passagens aéreas recuaram 9,24%, o que segurou o grupo em apenas 0,05% de alta.
IPCA-15 x IPCA: qual a diferença
Os dois índices são calculados pelo IBGE com a mesma metodologia e a mesma cesta de produtos, para famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos. A diferença é o período de coleta:
- IPCA-15: preços coletados, aproximadamente, do dia 16 do mês anterior ao dia 15 do mês de referência. Sai antes, por isso é chamado de prévia.
- IPCA: preços do mês cheio, do dia 1º ao último dia. É o índice oficial da meta de inflação e o que corrige o Tesouro IPCA+.
Por usar quase o mesmo período, o IPCA-15 costuma antecipar bem a direção do IPCA. O resultado oficial de outubro sai no início de novembro.
Por que isso importa para os juros
A meta de inflação tem centro de 3% e teto de 4,5%. A inflação acumulada em 12 meses ainda está acima do teto, mas uma desaceleração mais forte que o esperado reforça o espaço para o Banco Central continuar reduzindo a Selic, hoje em 13,75% ao ano. A próxima reunião do Copom acontece em 3 e 4 de novembro; veja o que está em jogo.
Para os analistas, o detalhe importa tanto quanto o número cheio. Uma queda puxada por energia e passagens aéreas, itens que oscilam muito, é vista com mais cautela do que uma desaceleração em serviços, que reflete melhor a pressão da economia sobre os preços.
Quanto a inflação tira do seu dinheiro
Com inflação de cerca de 4,6% em 12 meses, R$ 1.000 guardados sem render compram hoje o equivalente a uns R$ 956 de um ano atrás. Por isso, um investimento só gera ganho de verdade se render acima da inflação.
Veja o ganho real aproximado de cada aplicação, usando o IPCA de 4,58% em 12 meses até setembro, último dado fechado do índice oficial:
| Investimento | Rendimento em 12 meses | Ganho real aproximado |
|---|---|---|
| Poupança (cerca de 8,3% ao ano, isenta) | 8,34% | 3,6% |
| CDB 100% do CDI, depois do IR de 17,5% | 11,26% | 6,4% |
| CDB 100% do CDI, antes do IR | 13,65% | 8,7% |
A conta do ganho real é: (1 + rendimento) ÷ (1 + inflação) − 1. A poupança ainda tem ganho real, mas bem menor que o de opções atreladas à Selic.
O que fazer com essa informação
- No orçamento: alimentos frescos como tomate e cebola variam muito de um mês para outro. Trocar por produtos da estação ajuda a segurar o gasto.
- Nos investimentos: para objetivos longos, títulos atrelados à inflação (como o Tesouro IPCA+) protegem o poder de compra, porque pagam a inflação mais uma taxa fixa.
- Nas dívidas: reajustes de contratos de aluguel e de mensalidades costumam usar índices de inflação. Vale conferir qual índice está no seu contrato.
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