Durigan nega tabelamento da Selic após proposta de Lara Resende

    Ministro diz que a ideia não está na mesa do presidente e nega reunião marcada. Proposta de Lara Resende prevê reduzir a Selic a 7,5% em 12 meses.

    Por Redação JurosFácil|

    Painel eletrônico exibe cotações e indicadores do mercado financeiro
    Imagem: Daniel Brzdęk/Unsplash

    Em 1º de novembro de 2026, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou à Folha de S.Paulo que uma proposta de tabelamento da taxa básica de juros não está na mesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durigan também disse que não há reunião agendada entre Lula e o economista André Lara Resende. A declaração veio após a repercussão de uma proposta que prevê mudar a coordenação das políticas fiscal e monetária e reduzir gradualmente a Selic.

    O que está sendo proposto?

    Em artigo publicado em 25 de setembro, Lara Resende defendeu a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, com metas conjuntas para juros, inflação e contas públicas em um horizonte de quatro a cinco anos. Na proposta, o Banco Central anunciaria uma trajetória gradual de redução da Selic até perto de 7,5% ao ano em aproximadamente 12 meses. Depois, a taxa ficaria entre a meta de inflação, de 3%, e o crescimento nominal potencial da economia, estimado pelo autor em cerca de 5,5%.

    Essa é uma proposta do economista, não uma decisão do governo. O artigo apresenta uma interpretação sobre o peso dos juros no crescimento da dívida pública e defende maior coordenação entre as políticas fiscal e monetária. A reportagem da Folha também registra críticas de gestores e economistas, que apontam riscos inflacionários e preocupação com a confiança dos investidores.

    Quem decide a Selic hoje?

    A meta da Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), órgão do Banco Central, como explica a página oficial sobre política monetária. Na reunião encerrada em 16 de setembro, o comitê reduziu a taxa para 13,75% ao ano. O calendário oficial do Banco Central prevê a próxima reunião para 3 e 4 de novembro, quando o colegiado voltará a avaliar a política monetária.

    A Lei Complementar 179, de 2021, estabelece que o Conselho Monetário Nacional define as metas de política monetária e que cabe privativamente ao Banco Central conduzir a política necessária para cumpri-las. A mesma lei caracteriza a autarquia como instituição de autonomia técnica, operacional, administrativa e financeira. Portanto, a proposta de Lara Resende não muda a taxa por si só: qualquer alteração da meta vigente depende de uma decisão dentro do arranjo institucional em vigor.

    O que muda no bolso de quem?

    Por enquanto, nada muda automaticamente. A fala do ministro não altera a taxa de juros dos contratos, o rendimento de CDBs, a remuneração do Tesouro Selic nem a regra da poupança. Também não significa que o Banco Central já tenha decidido reduzir os juros para o patamar defendido pelo economista.

    Se a Selic cair em decisões futuras do Copom, aplicações pós-fixadas tendem a acompanhar a redução gradualmente, enquanto novas operações de crédito podem ficar mais baratas com o tempo. O repasse não é automático nem igual para todos. O Banco Central explica que a Selic afeta o crédito por diferentes canais e que as condições de financiamento dependem de outras variáveis da economia e do mercado. Por isso, a taxa básica não deve ser confundida com o juro final de um empréstimo ou financiamento.

    Para entender o que já foi decidido e o que o mercado espera da próxima reunião, veja também o último corte da Selic e o Boletim Focus de 26 de outubro.

    Exemplo: quanto representa a diferença em R$ 10 mil?

    A proposta ajuda a visualizar a dimensão de uma mudança de taxa, mas não é uma previsão de corte. Em uma conta matemática hipotética, considere um saldo constante de R$ 10 mil por 12 meses, sem amortizações, tarifas ou outras cobranças. Aplicando diretamente uma taxa anual de 13,75%, os juros do período seriam R$ 1.375. Com uma taxa anual de 7,5%, seriam R$ 750. A diferença seria de R$ 625 em um ano.

    A conta é simples: R$ 10.000 × 13,75% = R$ 1.375; R$ 10.000 × 7,5% = R$ 750. Esse exercício compara apenas as taxas anuais citadas e não representa o custo real de um empréstimo, nem o rendimento de um CDB ou título público. No crédito, o banco acrescenta seu spread, tributos e eventuais tarifas; nos investimentos, a remuneração segue as regras de cada produto e pode haver Imposto de Renda. Como a simulação não é uma aplicação financeira, não há imposto de investimento a descontar.

    O que observar agora

    O próximo marco é a reunião do Copom de 3 e 4 de novembro. Até a divulgação da decisão, a proposta de Lara Resende deve ser tratada como parte do debate econômico, e não como uma mudança já aprovada ou em implementação. O próprio ministro afirmou que o tabelamento não está na mesa do presidente e que não há encontro marcado com o economista.

    Se você tem empréstimo ou financiamento, compare o Custo Efetivo Total (CET) e as condições de portabilidade disponíveis no seu contrato, sem presumir que uma discussão sobre a Selic reduzirá sua parcela. Para simular cenários com taxas diferentes, use a calculadora de juros do JurosFácil.

    Fontes

    Nota de apuração: a consulta ao endpoint público da série SGS 432 retornou observações somente até 16/09/2026, ainda com o valor anterior de 14% naquele dia. Por isso, o texto usa a decisão do Copom divulgada em 16/09, que reduziu a meta para 13,75% ao ano, e não apresenta a resposta defasada da série como atualização corrente.

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