Isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil: como funciona em 2026

    Quem ganha até R$ 5 mil por mês não paga IR desde janeiro de 2026, e há desconto parcial até R$ 7.350. Veja quem tem direito e o que muda na declaração.

    Por Redação JurosFácil| · Atualizado em 31/10/2026 às 22:14

    Isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil: como funciona em 2026
    Imagem: Unsplash

    Desde janeiro de 2026, quem recebe até R$ 5 mil por mês está isento do Imposto de Renda retido na fonte. A mudança veio com a Lei 15.270, sancionada em 26 de novembro de 2025, começou a aparecer nos contracheques de fevereiro, referentes aos salários de janeiro, e é uma das maiores alterações na tabela do IR em anos.

    Quem tem direito

    A regra vale para quem tem rendimentos tributáveis mensais de até R$ 5 mil, incluindo:

    • trabalhadores com carteira assinada (CLT);
    • servidores públicos;
    • aposentados e pensionistas do INSS e de regimes próprios.

    Como a isenção funciona na prática

    A tabela progressiva do IR não mudou. O que a lei criou foi um redutor: um desconto aplicado depois do cálculo normal do imposto.

    • Para rendimentos de até R$ 5 mil, o redutor é igual ao imposto devido, que fica zerado.
    • Para rendimentos entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, o desconto é calculado pela fórmula da lei: R$ 978,62 − (0,133145 × rendimento tributável mensal). Quanto mais perto de R$ 5 mil, maior o desconto.
    • Acima de R$ 7.350, o redutor chega a zero e continua valendo só a tabela progressiva tradicional.

    O desconto nunca pode ser maior que o imposto calculado, então não gera crédito nem imposto negativo.

    Exemplos

    A Receita Federal publicou orientação às empresas com um exemplo para quem recebe R$ 6.000 por mês. Usando o desconto simplificado, sem dependentes:

    • imposto pela tabela progressiva: R$ 574,29;
    • redutor: R$ 978,62 − (0,133145 × 6.000) = R$ 179,75;
    • imposto a pagar: R$ 394,54 por mês.

    Aplicando a mesma fórmula a outras faixas:

    Rendimento mensalRedutor da nova lei
    até R$ 5.000igual ao imposto (IR zerado)
    R$ 6.000R$ 179,75
    R$ 7.000R$ 46,60
    R$ 7.350 ou maisR$ 0

    O valor final do imposto depende também das deduções de cada pessoa (INSS, dependentes, pensão alimentícia), por isso o contracheque mostra a conta exata.

    Como fica na declaração anual

    No cálculo anual, a lógica é a mesma:

    • rendimentos tributáveis de até R$ 60 mil no ano ficam isentos;
    • entre R$ 60.000,01 e R$ 88.200, a redução diminui gradualmente;
    • acima disso, não há desconto adicional.

    A primeira declaração com a regra nova será a de 2027, sobre os rendimentos de 2026. A redução não gera restituição automática; ela apenas zera ou diminui o imposto devido. Quem teve imposto retido a mais ao longo do ano recebe a diferença na restituição, como sempre.

    Atenção a quem tem mais de uma fonte de renda

    A isenção na fonte é calculada separadamente por cada pagador. Se você tem dois empregos, ou recebe salário e aluguel, e a soma passa de R$ 5 mil, cada fonte pode reter pouco ou nada, mas a diferença de imposto será acertada na declaração anual. O mesmo vale para o 13º salário, que tem tributação própria.

    Na prática: quem tem várias fontes de renda deve guardar parte do dinheiro para não ser surpreendido com imposto a pagar em 2027.

    Como a medida é compensada

    Para cobrir a perda de arrecadação, estimada pelo governo em R$ 25,4 bilhões, a lei criou uma tributação mínima para altas rendas, que considera salários, dividendos e rendimentos tributáveis de investimentos de quem ganha mais de R$ 600 mil por ano. O governo estima que cerca de 141 mil contribuintes sejam afetados.

    A lei também passou a reter IR sobre lucros e dividendos acima de R$ 50 mil por mês pagos por uma mesma empresa a uma pessoa física.

    O que fazer com o dinheiro que sobra

    Para quem ganha até R$ 5 mil e pagava imposto antes, o alívio pode passar de R$ 300 por mês. Uma boa ideia é transformar a diferença em aporte mensal antes que ela suma no orçamento.

    R$ 300 por mês investidos a 1% ao mês somam cerca de R$ 69 mil em 10 anos, dos quais R$ 36 mil são depósitos e o resto, juros. Com R$ 200 por mês, o saldo passa de R$ 46 mil no mesmo prazo.

    Se você tem dívidas caras, como cartão de crédito ou cheque especial, usar a diferença para quitá-las rende mais do que qualquer investimento. Veja quanto custa o rotativo do cartão.

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