Juros do rotativo do cartão chegam a 444,9% ao ano, aponta Banco Central

    O rotativo do cartão chegou a 444,9% ao ano em agosto e a 451,7% em setembro, segundo o BC. Veja o limite legal de 100% e como sair dessa dívida.

    Por Redação JurosFácil| · Atualizado em 31/10/2026 às 22:14

    Juros do rotativo do cartão chegam a 444,9% ao ano, aponta Banco Central
    Imagem: Unsplash

    Atualização: os dados de setembro, divulgados depois deste texto, mostram nova alta. O rotativo foi a 451,7% ao ano e o parcelado da fatura a 193% ao ano, segundo o Banco Central. Os números estão na tabela abaixo.

    Os juros do rotativo do cartão de crédito continuam sendo os mais altos do mercado. Segundo as estatísticas de crédito do Banco Central, a taxa média do rotativo para pessoas físicas subiu para 444,9% ao ano em agosto de 2026, ante 436,1% em julho. Em setembro, voltou a subir, para 451,7%.

    Os números

    ModalidadeJulhoAgostoSetembro
    Rotativo do cartão436,1% a.a.444,9% a.a.451,7% a.a.
    Parcelado da fatura189,4% a.a.192,1% a.a.193,0% a.a.
    Cartão total (rotativo + parcelado)93,1% a.a.97,8% a.a.100,3% a.a.

    Em juros compostos, 444,9% ao ano equivalem a cerca de 15,2% ao mês, e 451,7% a 15,3% ao mês. O parcelado da fatura fica perto de 9,4% ao mês.

    O Banco Central lembra que essas taxas anuais são estatísticas: elas são calculadas anualizando a taxa mensal. Na prática, pelas regras atuais, ninguém fica um ano inteiro no rotativo. Mas o número mostra o quanto essa dívida cresce rápido.

    Por que o rotativo é tão caro

    O rotativo é um crédito sem garantia, concedido automaticamente a qualquer cliente que pague menos que o total da fatura. Quem recorre a ele, em geral, já está com o orçamento apertado, o que aumenta o risco de calote. Os bancos embutem esse risco na taxa. A Selic tem pouco peso aqui: mesmo com cinco cortes seguidos dos juros básicos em 2026, a taxa do rotativo subiu.

    Existe um limite?

    Sim. Desde janeiro de 2024, uma lei limita a cobrança de juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura a 100% do valor original da dívida. Uma dívida de R$ 1.000 no rotativo não pode gerar mais de R$ 1.000 em juros e encargos, ou seja, o total não pode passar de R$ 2.000.

    O limite evita que a dívida cresça sem fim, mas dobrar o valor devido continua sendo muito caro.

    Quanto uma dívida de R$ 1.000 cresce

    Sem nenhum pagamento, com as taxas médias de setembro:

    TempoNo rotativo (15,3% a.m.)No parcelado da fatura (9,4% a.m.)
    1 mêsR$ 1.153R$ 1.094
    2 mesesR$ 1.329R$ 1.196
    3 mesesR$ 1.533R$ 1.308
    5 mesesR$ 2.038, mas o limite legal trava em R$ 2.000R$ 1.565

    Pela regra dos 72, uma dívida a 15% ao mês dobra em menos de cinco meses. A conta não inclui IOF, que também é cobrado.

    Como funciona o rotativo hoje

    Quando você paga menos que o total da fatura (por exemplo, só o mínimo), o saldo restante entra no rotativo. Pelas regras atuais, o banco só pode manter o cliente no rotativo até o vencimento da fatura seguinte. Depois disso, precisa oferecer um parcelamento com juros menores ou outra forma de pagamento.

    Ou seja: o rotativo é um crédito de um mês. A partir daí, a dívida vira parcelamento, que é mais barato, mas ainda custa perto de 190% ao ano.

    Como sair do rotativo

    1. Pague o total da fatura sempre que puder. É a única forma de não pagar juros no cartão.
    2. Se não der, pague o máximo possível, não só o mínimo. Cada real a mais deixa de render juros de 15% ao mês.
    3. Troque a dívida cara por uma mais barata. Empréstimo consignado, crédito pessoal com garantia ou até o parcelamento da fatura costumam ter taxas bem menores que o rotativo. Compare sempre o Custo Efetivo Total (CET).
    4. Negocie direto com o banco. Programas de renegociação e mutirões costumam oferecer descontos para quitação.
    5. Corte o uso do cartão até quitar o saldo, para não somar novas compras à dívida.
    6. Reveja o limite. Um limite muito acima da sua renda facilita o descontrole. Pedir redução é simples e gratuito.

    Exemplo: trocar o rotativo por um empréstimo

    Uma dívida de R$ 5 mil parcelada em 12 vezes a 9,37% ao mês, taxa média do parcelado da fatura em setembro, tem parcela de cerca de R$ 711 e total de R$ 8.536. Um empréstimo pessoal a 4% ao mês, no mesmo prazo, teria parcela de R$ 533 e total de R$ 6.393. A troca economizaria mais de R$ 2.100.

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